quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Esbarrão VI e Ele.

Uma história longa sobre um menino só e triste que achou, uma vez, durante uma noite de tempestade, alguém que cuidasse dele.
Caio F.


Quem sou eu?!- Se perguntam.


Ele, antes de tomar o ônibus, tomou uma pinga. Procurava coragem e a encontrou engarrafada na esquina de casa... Estava em uma bifurcação e nem na estrada tinha entrado ainda. “Voltar pra ela, chegar pra ela, ou chegar em mim?! O que essa mulher quer de mim que já não tenha dado?! Será que dessa vez ela termina tudo? Parte pra outra? Resolve ser solteira cantando o hit da cidade, parada em qualquer praia? Que será de mim?!”- e entornava a coragem líquida goela abaixo.


Não sabia quem era aquela mulher que fez uma puta bagunça na sua vidinha perfeita, sabia que ela não tinha medo e já havia sofrido um tanto, sabia que ela era tinhosa, a danada. Que poderia, sem esforço amá-lo sem limites, pudores e futuro e brincar de eternidade. E, que ela com medo de se entregar a quem não a merecesse, vestiu-se em armadura, de tomara-que-caia estampado e curto fazia dos corações de menino seu parque de diversões favorito, seu passatempo de domingo que, logo, virava cansaço de segunda-feira, mas sabia que ele continuava na quarta.


Diziam, nas noites quentes e estreladas do campo, os amigos, que aquela menina seria seu fim. Diriam, se ele contasse sobre ela a alguém, era seu segredo, quase sagrado. Contava pra si mesmo, até cansar, até não acreditar mais que a carioquinha abusada existe, existiu e persiste escondidinha em todos os seus pensamentos absurdos de planos pra depois de amanhã.


E, num súbito o velho tomou um ônibus, sem saber pra onde, nem porque, nem se pra ver ela, se pra se ver, se pra ser feliz pra sempre, ou só provar pra ela que nem em cinqüenta anos ele a amaria mais que nos primeiros segundos que a viu antes que ela pousasse seus olhos sobre o dele, que mesmo depois de cinqüenta anos ela é aquilo que ele amou, mesmo que fugidio, verdadeiro. Ela o abraçou, achou que tremia, mas, não. Disse estar nervosa, e fingiu que seu único objetivo não era a boca, desviou.
“Pra que mais que isso?!”- tinha certeza- era a primeira vez.

2 comentários:

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

"Não chore ainda não que eu tenho a impressão que o samba vem aí. Um samba tão imenso que eu as vezes penso que o próprio tempo vai parar pra ouvir."

Chico Buarque.

Vim cantar pra você. rs

Um abraçado descompassado.

Karol Gonçalves disse...

"...ele a amaria mais que nos primeiros segundos que a viu antes que ela pousasse seus olhos sobre o dele, que mesmo depois de cinqüenta anos ela é aquilo que ele amou, mesmo que fugidio, verdadeiro..."

Sei não...
Complicadíssimo!

O amor acaba e ponto!
Mas se é fugidio não é amor, acho eu.