domingo, 7 de fevereiro de 2010

Sobre rosas e machados.

Aquela vontade de não querer.
Quando já quero.
O silêncio entre a mensagem que jogo engarrafada no mar,
E o vento que me sopra o que acontece aí.
O sonho desperto ofegante da certeza do queixo, da palavra, do inteiro.
Do anúncio de que isso existe.
O aperto no peito que dá quando entro em um ônibus e sei que ele não vai chegar aí.
Que eu ainda não posso chegar aí.
Que o aí é só daqui.
A vontade de usar todos os pronomes possessivos.
A censura em não usá-los.
De conjugar isso em todos os tempos.
Porque onde existe você ainda tem um outro pedaço.
Enquanto esse pedaço existe.
Co-existo.
Existe a vontade de que passe rápido.
Quantos anos mesmo?
O impulso em ser doce.
Em dar colo, pernas e calor.
Te entregar em mãos o que já não é mais de outrem.
Eu li que é tempo de Sol.
É leve.
E nesses versos...
É meu.
Somos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Gênio,


Isso ainda é muito longe pra ser outra coisa além do que é. Então, fica tranquilo. E, enquanto perdemos as palavras, achamos o sentido. A graça do seu medo é querer demais o que não sabe.
Ninguém sabe. O medo de que tudo mude. De que tudo permaneça igual. A coisa suspensa. Tudo que falo demais... Mas, disso. Disso ele não sabe. E o desconhecido que me parece tão familiar. Desse jeito mesmo. Óbvio. Escancarado e escondido. Eu enxergo o que eu achei que não quisesse mais ver. Eu enxergo eu. Do jeito que eu era. Que eu prometi continuar sendo. Independente de qualquer coisa. E quanta coisa. Ainda é? Um pouco ou tanto que eu não posso admitir. Deixo você querendo o que já queria. E aprendo como querer.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Como combinado.

Esqueci o bloquinho.
Na hora da decolagem,
Encontrei meu pouso.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Tudo novo.


Ano novo é vontade.
De abrir a janela, a agenda nova e quiçá... um cadinho d'alma.
Ano novo é chance, mesmo sempre tendo a mesma oportunidade.
Dá um impulso, um rompante, um levante!
De células, neurônios e um pouco mais. Posso ainda falar de emoção?
Ano novo de amigos velhos.
Sonhos tilintando.
Possibilidade de tudo. E o tudo sempre vem.
Ouvidor, lavradio, "Tô te esperando na sete de setembro"
Eu também! Tô andando pra lá!

Foto: FFFound

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

De Clarice.

DE CLARICE PARA LÚCIO CARDOSO

Carta póstuma de Clarice Lispector para Lúcio Cardoso

Lúcio, estou com saudade de você, corcel de fogo que você era, sem limite para o seu galope.

Saudade eu tenho sempre. Mas, saudade tristíssima, duas vezes.

A primeira quando você repentinamente adoeceu, em plena vida, você que era vida. Não morreu da doença. Continuou vivendo, porém era homem que não escrevia mais, ele que até então escrevera por uma compulsão eterna gloriosa. E depois da doença, não falava mais, ele que já me dissera das coisas mais inspiradas que ouvidos humanos poderiam ouvir. E ficara com o lado direito todo paralisado. Mais tarde usou a mão esquerda para pintar: o poder criativo nele não cessara.

Mudo ou grunhindo, só os olhos se estrelavam, eles que sempre haviam faiscado de um brilho intenso, fascinante e um pouco diabólico.

De sua doença restaria também o sorriso: esse homem que sorria para aquilo que o matava. Foi homem de se arriscar e de pagar o alto preço do jogo. Passou a transportar para as telas, com a mão esquerda (que, no entanto, era incapaz de escrever, só de pintar) transparência e luzes e levezas que antes ele não parecia ter conhecido e ter sido iluminado por elas: tenho um quadro, de antes da doença, que é quase totalmente negro. A luz lhe viera depois das trevas da doença.

A segunda saudade já foi perto do fim.

Algumas pessoas amigas dele estavam na ante-sala de seu quarto no hospital e a maioria não se sentiu com força de sofrer ainda mais ao vê-lo imóvel, em estado de coma.

Entrei no quarto e vi o Cristo morto. Seu rosto estava esverdeado como um personagem de El Greco. Havia a Beleza em seus traços.

Antes, mudo, ele pelo menos me ouvia. E agora não ouviria nem que eu gritasse que ele fora a pessoa mais importante da minha vida durante a minha adolescência. Naquela época ele me ensinava como se conhecem as pessoas atrás das máscaras, ensinava o melhor modo de olhar a lua. Foi Lúcio que me transformou em "mineira": ganhei diploma e conheço os maneirismos que amo nos mineiros.

Não fui ao velório, nem ao enterro, nem à missa porque havia dentro de mim silêncio demais. Naqueles dias eu estava só, não podia ver gente: eu vira a morte.

Estou me lembrando de coisas. Misturo tudo. Ora ouço ele me garantir que eu não tivesse medo do futuro porque eu era um ser com a chama da vida. Ora vejo-nos alegres na rua comendo pipocas. Ora vejo-o encontrando-se comigo na ABBR, onde eu recuperava os movimentos de minha mão queimada e onde Lúcio, Pedro e Míriam Bloch chamavam-no à vida. Na ABBR caímos um nos braços do outro.

Lúcio e eu sempre nos admitimos: ele com sua vida misteriosa e secreta, eu com o que ele chamava de "vida apaixonante". Em tantas coisas éramos tão fantásticos que, se não houvesse a impossibilidade, quem sabe teríamos nos casado.

Helena Cardoso, você que é uma escritora fina e que sabe pegar numa asa de borboleta sem quebrá-la, você que é irmã de Lúcio para todo o sempre, por que não escreve um livro sobre Lúcio? Você contaria de seus anseios e alegrias, de suas angústias profundas, de sua luta com Deus, de suas fugas para o humano, para os caminhos do Bem e do Mal. Você, Helena, sofreu com Lúcio e por isso mesmo mais o amou.

Enquanto escrevo levanto de vez em quando os olhos e contemplo a caixinha de música antiga que Lúcio me deu de presente: tocava como em cravo a Pour Élise. Tanto ouvi que a mola partiu. A caixinha de música está muda? Não. Assim como Lúcio não está morto dentro de mim.

Clarice Lispector

do A Descoberta do Mundo.

Publicado originalmente em 11 de janeiro de 1969, no Jornal do Brasil.







Acho difícil alguma coisa ser mais bonita.

retirado de: http://marciliomedeiros.zip.net/arch2008-09-07_2008-09-13.html


segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A gente se vê.


A verdade é que eu adoro você.
Sempre vou adorar.
É o tipo de coisa que sempre soube, mas me faltou coragem de traduzir em palavras.
Adoro o silêncio que existe entre uma e outra risada sua.
Como ainda sei o que você pensa, sem nada precisar ser dito mais.
Adoro o ritmo da sua respiração enquanto fala comigo.
Quando isso acontece, realmente parece que faz dois minutos que comecei a adorar você.
Adoro o fato das coincidências sempre existirem.

estava mesmo pensando em você!

Eu também, eu também.

Sei que não vai ser raro sentir as saudades.
Mas, elas tem se desprendido de mim.
Eu quis tanto isso.
Assim como quis tanto te ver feliz.
Era apaixonada por tentar te fazer feliz.
E o fiz justamente quando deixei você livre.
Não que tenha te deixado. Nos deixamos. Deixamos ser e como a vida faz, foi.
Se eu te escrevesse uma carta hoje, faria você me prometer que vai ser feliz assim pra sempre.
Você, Meu coração tá limpo e cheio de Sol.
E, eu sei, a gente se sabe.
Carinho.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pra minha gente boa.

Pra dançar até o pé cansar,
Pra lembrar que sempre pode ser pior,
Pra tirar a melhor gargalhada,
Pra lembrar de velhas histórias.

Pra ser um pouco mais,
Pra ajudar a correr do temporal,
Pra ajudar a enfrentar essa vida,
Pra aguentar o calor e emprestar o ombro.

Mostrar que ainda tem verdade,
Que sempre dá pra ser mais que só metade.
Que é dura, mas é boa a realidade.
Mostrar que o verão chegou e é tempo de flor.