quinta-feira, 9 de abril de 2009

eu confesso! eu, com fé, sou.

Mandei você embora, porque eu queira ficar.
Copiei de mim mesma essa mania de desamar.
Desamo, assim que, distraída, sorrio de tosse boba, de história antiga, de piada ruim.
E, me digo traída de mim, porque tenho desamado de tanta gente.
Se me beija, vou ao banheiro,
Se me liga, durmo o dia inteiro,
Não vi tocar, não me deixo tocar,
Se me conta da casinha em cima do morro, da infância e do sonho, me digo confusa, troco de blusa, passo pro próximo.
Guardo um monte de rascunho deles,
Colo na parede e desenho estórias das gentes,
Das gentes que poderia ser e não escolhi,
Não escolhi sem saber sabendo,
Sem querer, querendo!
Uso de superlativos pra esconder o vazio dos dias que se seguiram depois de tanto e de tantos.
Manipulo as palavras, provando pra alguma coisa que eu sinto mais.
Não sinto mais. Que eu sinto demais.
E, cada vez que um se cansa, meu peito se lança a procura de um novo desamor.
O meu novo teste, ama mais a falta,
Procura, menino peralta!
Me conta do dia, me busca sozinho, me mostra o caminho,
Cuida bem de mim.
Já desamei ele. Agora gosto um pouquinho.

3 comentários:

Karol Gonçalves disse...

Agora é oficial ela é poeta!!lindo!
A maravilha começou pelo título!

"eu confesso! eu, com fé, sou."

"Se me beija, vou ao banheiro,
Se me liga, durmo o dia inteiro,
Não vi tocar, não me deixo tocar,"

"Colo na parede e desenho estórias das gentes,
Das gentes que poderia ser e não escolhi,"

Muito bom!Parabéns!

Karol Gonçalves disse...

Melhor desamor do que nunca amor!

Sedokao Morutaru disse...

que estranho. Me fez pensar no que estava pensando, por essas horas, observando o mar