domingo, 13 de junho de 2010

Nu.

Você é idiota ou o que? - ela disse num repente, eles não se falavam há um mês e continuou- Hein?! Você é idiota?Você acha que eu não sei? Que eu sou burra a ponto de duvidar do que eu sei que você sente?- Ela gritava, tentando não deixar transparecer que ria e chorava ao mesmo tempo.
Quando ela leu a crônica que ele publicara no jornal local- que aos olhos mais desavisados passou despercebida, como um jogral sem ritmo- teve vontade de estrangular ele.
Ele que ela não sabia mais muito bem quem era. Ele que se transformou num misto de todos os homens que passaram pela sua cama, cabeça, pele, coração.
Ele ficou mudo e tentava entender o que ela dizia com isso. Ele era do tipo que só dava o que não queriam dele.
Ele fingia não se importar quando um assunto não lhe saia da cabeça. E, quando ele não sentia, proferia as mais belas promessas de amor fingido e fugidio. Ele ficou quieto.
Ela continuava a procurar as palavras certas que dessem o tom de um desprezo+importância. Pra ver se ele entendia que ela queria que ele quisesse, pra ela então explicar pra ele que isso era impossível, que ela não quis. Pra então, ela entender isso também.
Mas, ele brincava: -Não, não sou idiota. Não foi pra você.
- claro que foi pra mim! -ela sabia.
-Ok, foi pra você. Mas, e daí? Eu acho que você não sabe mesmo o que sinto.
- Como você pode falar isso?- em um quase descuido, ele quase colocou tudo a perder, quase deu pra ela o que ela queria pra ser feliz.
- Vai a merda! Eu não vou te perguntar! Eu demorei mas entendi a sua dinâmica. Você não diz o que eu não sei e ainda assim quer que eu saiba.
-Para de complicar. Não posso mais, não sou.
-Não quero nada mais. Aliás, quero. Quero sim! Quero o que é meu! Quero que você não tenha vindo! Quero que você suma. Quero aceitar que te esqueci. E quero que você me dê esse afeto, porra! Desgraçado!
-Desgraçado? Desde quando você xinga "desgraçado"?
-Não interessa! aprendo!Aprendo. Demora mas eu aprendo.
-Porra, desgraçado foi foda.
-Não foi pior do que pensar que sou idiota por não saber de tudo. Você escrever que eu não sei o que você sente. Que eu esqueci tudo.
-Eu te entendo.
-Porra nenhuma. Você não é você. é uma cópia barata do que eu achei que pudesse me fazer feliz. É isso! Você é uma barata!
-Então tá.
-Pronto! Chegamos no ponto. Como você é palhaço, né?! Eu aqui brigando com você, Sendo minha versão mais ridícula, só pra ver se você volta, só pra ver se você vem e "então tá".
-tá.
-Sabe o que eu li? - e é nessas horas que ela gosta dele, quando ela explica o que pensa que ele deveras sabe.
-Diz- e é nessas horas que ele gosta dela, quando ele não entende o que ela sabe tanto.
-Que cidades se comunicam mais com o mundo do que com sua própria nação. E, que o espaço físico só serve para ajudar na demarcãção, O território é pano de fundo para o reconhecimento do desconhecido desses indivíduos. As cidades falam línguas distintas.
-Uhm. Quer dizer?
-Sinto falta da sua língua. E, você nunca vai entender que o que eu quero a gente já tem. Ou acabamos de perder. Você precisa me contar que já me deu.
-Se vira, eu não vou ser quem eu sou porque você quer e gosta.
-Idiota. - Como era bobo.
-Você é tudo o que eu posso querer. -Era isso que o silêncio falava. Mas, se ele pronunciasse isso, ele então não poderia mais fingir que não sentia. Ele sabia quem era ela. Ela sabia que era querida.
-Tá bom. - a voz repetiu isso.
-Tá bom.- ela disse- Você me machuca tanto, pena que não dói mais- ela pensou.
Eles desligaram.
Ele pensou no que podia ser. Que ela só gostava do jogo, que deixaria ele na próxima esquina, que ele não aguentaria ficar sem ela um dia, por isso ficava todos os dias.
Ela pensou no que não podia ser -E, por quase um segundo e meio a vontade a sufocou, mas ela respirou- Que ela ficaria com ele.
Mas não ficou.
Trocou de roupa, acordou o rapaz que nem mesmo estando a 20 cm de distância de sua boca acordou com o falatório.
Penteou o cabelo e foi feliz pra sempre.

4 comentários:

Lorena disse...

Amiga seu blog está lindo, cada vez mais lindo!!!!

Karol Gonçalves disse...

Então... O fundo novo ficou ótimo!

Karol Gonçalves disse...

"Ela continuava a procurar as palavras certas que dessem o tom de um desprezo+importância. Pra ver se ele entendia que ela queria que ele quisesse, pra ela então explicar pra ele que isso era impossível, que ela não quis. Pra então, ela entender isso também."

Entendi e gostei!Acho...

Karol Gonçalves disse...

"Ele fingia não se importar quando um assunto não lhe saia da cabeça. E, quando ele não sentia, proferia as mais belas promessas de amor fingido e fugidio. Ele ficou quieto."


Tudo é releitura!