segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Pra não dizer que não falei dos morangos.



Isso sou eu não me importando com você.
Sou eu não dizendo que eu tenho saudades.
Sou eu não falando que mesmo com tanta mágoa e dor eu ainda quero você bem.
Sou eu tentando entender o que foi que aconteceu, o que foi verdade, o
que machuca tanto e eu finjo esquecer todo dia um pouco.
E, principalmente, sou eu querendo saber se a importância é tão
pequena pra você não dar sequer um passo em direção a mim.
Não existe receita perfeita, né?
Mas acho tão cruel quanto foi a mentira a sua indiferença.
Somos tão estranhas assim?
Ontem achei uma cartinha que você deixou no meu caderno da moranguinho
que você me deu, que eu ainda não tinha visto...
Dizendo que vc estaria sempre perto pra nao me deixar perder o foco...e cadê você?
Eu não sei.
Mesmo com esse abismo, que só existe porque vocês deixaram existir, eu
ainda quero entender.

Eu só publico quando passa e passou.
Ficou a estranheza de saber que a gente não conhece quem conhece. Eu não conheci.
Tenho mania de sentir demais e de dar fim quando acaba.
As memórias ficam, só as boas.
Tive que esquecer tudo.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Nosso segredo.


Quando era criança, lembro que minha mãe falava pra eu não conversar com meus amiguinhos o que conversávamos em casa.
Sempre fomos dados a coisas complexas, nada a toa eu estar estudando políticas culturais e meu irmão engenharia metalúrgica...Tudo muito complexo... Tudo muito complexo...
Não raro, quando criança, nossas discussões já giravam em torno de existência, modos de existir.
“-Existe vida em outro mundo?”
“-Existe vida aqui?”
“-Existe vida em mim?”
E, depois de tantas considerações já exauridos e a cada noite de conversas um pouco mais velhos, quando íamos dormir com o beijo de boa noite vinha o alerta maternal:
“Não se esqueça, não converse com ninguém sobre isso”.
Eu obedecia... E não entendia o porquê... Seria nosso segredo?
Teríamos nós quatro, do alto do terceiro andar do nosso apartamento, descoberto a cura da Aids, os segredos da Cia, as revelações de Maria?
Eu obedecia.
Até que um dia, inspirada por tantos questionamentos, e já lá pelos 7-8 anos... Perguntei pra mãe: “porquê?”.
Ela com olhos entendidos, como quem sempre sabe o que diz e o que sabe, mais esperta que o Google. Explicou o que nem o mesmo saberia buscar em segundos, minutos, horas... O Google não teria resultados para isso.
Minha mãe teve: “Não fale disso com seus amiguinhos, eles não entenderiam... Te chamariam de louca... Quando quiser falar mais, ser mais, questionar e saber... Conversa aqui em casa”.
Eu segui obedecendo... No colégio o papo era pique, meu nome é big primeiro, e o novo álbum de figurinhas das princesas. Em casa, era permitido Einstein, Jesus, Lincoln, Thomas Edson.
E, cresci assim... Sendo um pouco de um lado, um pouco de outro.
Querendo sempre muito de tudo.
Pergunto-me se mamãe estava certa, se eu falasse sobre essas coisas no colégio... Teria sido do grupinho decolado? Teria colado? Ido pra Porto Seguro com a galerinha mais cool?
Não sei.
Eu sei que eu fui.
Eu obedeci.
Sei que ela fez isso pra proteger e de algum jeito não deixou que a alma investigativa dos dois pequenos se cristalizasse diante de represálias de crianças do pré-escolar, que todos sabemos... Podem ser cruéis!
Ainda acho engraçado lembrar disso e do receio dela da gente não ser feliz porque sabia demais.
Hoje, as discussões não se limitam as nossas quatro paredes, falo aos quatro ventos e a algumas ventanias por aí.
Minha mão liberou.
Eu obedeci.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bodas.


Talvez, só talvez.
Isso resolva pesar.
Isso resolva apesar.
Isso se resolva, pesar!

Pesa, aqui, agora, dentro.
Queria guardar em pote vedado.
Vê? Foi dado.
Dei e esgotou.

Case e guarde um pouco.
Tratei de jogar fora.
Seja feliz e torço pra que chova muito.
Suje seus sapatos de lama.
Chuva traz coisa boa.

Nosso tempo de ser feliz.
Seja.
Sendo.
Sou e não somos.

E, sim... Essa foi a última vez que escrevi pra você.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Bodas de Prata dos meus pais.

Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.


_Adélia Prado_


Fernando Pessoa escreveu:” Viver não é necessário; o que é necessário é criar.”

E, juntos vocês criaram.

Criaram um lar cheio de flor, sorriso, carinho.

25 anos de sim.

25 anos pra querer e sempre ser um pouco mais.

Muito mais.

Desde pequena ouvi a história de vocês. Que nos dias de hoje parece
mais Estória.

Meu pai ter conhecido primeiro o irmão da minha mãe. E, mesmo sem
imaginar fazer a brincadeirinha “vou casar com a sua irmã”.

Repetindo, assim, a história dos meus avós maternos. Coincidência?

Ele não casaram uma vez, mas todos os dias desses 25 anos.

Casaram quando disseram sim.

Casaram de branco, de vontade e sendo amigos.

Casaram quando foram morar juntos, dividir conta e travesseiro.

Casaram quando souberam de mim, casaram quando souberam do Gui.

Casaram quando aprenderam a cuidar de umbigo de bebê, pneumonia de
criança, joelho ralado de arteiro, briga de irmão, coração partido,
dúvidas de adulto.

Casaram quando viram nossas primeiras letras, casam quando vêem seus
frutos dando folhas e criando raízes.

Casaram quando andamos de avião, quando íamos para colônia e corríamos
atrás de sonhos.

Vocês casaram quando mergulharam no desconhecido e quando me fazem
conhecer o mundo que construíram.

Vocês são a minha prova de que o mundo vale a pena e sempre é possível
dar mais amor, ser mais amor.

domingo, 27 de setembro de 2009

No deck.


Longe.
Fui me maquiar de Sol.
A cama foi de um gramado verde.
O cobertor foi um montão de estrelas,
Aprendi a contar com uma gente boa.
Sai catando caquinhos e enchi sacos de coisas que não deveriam estar ali.
Mas, estavam. Não está mais.
Depois nos abraçamos e ficamos de falar pra semana, o que resolvemos pra vida toda.
Encontrei um paraíso grande e está dentro de mim.
Vou ficar distante, mas deixe-me saber quando posso voltar.
Sempre fico mesmo pensando em vocês.
E, no amor grande que vocês me dão nessas noites cheias e bebidas de risada, nesses dias cheios de filosofia. O bem e o belo se fazendo presente a cada tarde, a cada descobrir junto. Em sonho.
Risando, de um povo que pode ser sempre um pouco mais de verdade.

* imagem: Jordan Ferney | Oh Happy Day!: Emerson Made. de:ffffound.com

domingo, 13 de setembro de 2009

Por enquanto

"Quem ama mente. Mas, que mente não ama."*
E, eu já não sei mais falar de amor.
Sinto saudades das flores que encheram, outrora, meu peito de vontade.
Ando meio amarelo.
Meia amarela, casaco na bolsa e corre-corre.
Não queria ouvir aquela nossa música.
Tenho vivido bem sem muito daquelas coisas na cabeça,
Encho o coração de dia-a-dia.
A realidade tem feito presença em mim. Todo dia ela vem aqui.
Vem e me lembra do que eu não sei mais lembrar.
Alguma coisa teima em me tentar.
É alguma emoção sem memória, uma certeza de um futuro sem presente.
E no presente eu já não sei mais.
A gente quer querer, mas cansou de querer mais e não quer.
Aconteceu o que eu pedi pra vida.
Pra onde você vai quando chega lá eu ainda não sei.
Outro dia fechei bem os olhos e mandei flores pra sua janela.
Sempre vejo lá no fundo o que foi bom.
"Sorri e saiba o que eu sei..."

* Na caixa de sonhos de José : http://vitimasdotedio.blogspot.com/2009/07/consideracao.html

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Pensando com eles.

Não tenho mais letras,
Nem inspiração.
Versos já não me dizem muito...
E, não raro, as poesias me enjoam no meio.

Não tenho sentido muito...
Tenho pensado demais.

No trabalho escrevo sobre vidas de pessoas que eu não conheço... e sei tanto.
Sei dos pais, mas não do que sentiram por eles.
Sei o nome do colégio, mas não qual a professora preferida, ou a matéria mais difícil.
Sei dos prêmios e condecorações, mas não o que eles sentiram, quem estava do lado e não podia faltar.
Tenho pensado muito sobre a vida e como ela se mede de verdade...
Um dos meus "objetos de pesquisa" me acordou...Não possuindo nada na rede sobre ele, procurei em uma das associações que integrou um contato...achei um amigo.
Descobri com esse sujeito, que o falecido fora um grande homem. O amigo falava com emoção, foi a primeira vez que uma dessas pessoas que já escrevo há um mês, deixou o lugar de verbete e tomou forma.
Pela voz do amigo descobri um pai de um grande artista plástico da atualidade e um embaixador,
descobri um poeta e uma acusação de nazismo.
Descobri a humanidade que parece teimar em abandonar as coisas com o tempo.
Sempre quis ser arqueóloga, pra descobrir os segredos do tempo.
A moda me levou pra outro lado...A produção pra outro...
Mas, diz sabiamente o ditado "o que é do homem o bicho não come."
Estou eu lá.
Sinto-me um pouco Indiana Jones...Aguardando as múmias!

Estou começando um novo blog. Pensando sobre a variedade de coisas que estudo, senti a necessidade de escrever as minhas considerações em algum lugar pra que elas não se percam.

Pensando com eles pra pensar com vocês.

www.pensandocomeles.blogspot.com