segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pontos finais começam com vírgulas.


Era sempre assim... Eles ficavam uns meses sem se ver, poucas semanas sem se falar.

Pra fingir que nem se gostavam tanto assim, que nem pensavam em como mudar tudo.

Mudar de casa, de telefone. Mudar o jeito como se olhavam e rapidamente denunciavam o amor que havia de vir.

Mas amor não tem anúncio, mas, isso eles não sabiam.

Da última vez que lembro, ela inventou um jeito de se aborrecer. Pediu que ele sumisse, pouco adiantou, ele já estava no meio das frases, entre os neurônios, gravado nas veias.

Mas, numa súplica boba, bêbada e súbita, pediu!

Some... Eu nunca menti pra você, né.

Ele respondeu que não sabia disso não.

Nem ela sabia. Eles não sabiam que amor, amor acaba também.

Depois desse intervalo teve o encontro de novo. Eles adoravam brigar, só pra se saber importante.

Ele disse a ela que lembrara dela no trabalho, e que aprendera como era importante tê-la a seu lado. Do jeito certo, com a palavra que de tão certa parecia ter sido sempre dita.

Ela disse que não precisava falar da falta dela no trabalho para falar da falta dela na vida.

Ele respondeu, como só ele saberia... Como se sempre tivesse dito... Respondeu que no trabalho só foi diferente. Porque na vida a falta dela acontecia todos os dias, a presença dela também.

Ficaram de se encontrar, e ele ligou quando ela passava por acaso pela sua porta.

Os acasos que misturaram tantas notas, costuram esse soneto sem métrica.

Ela subiu, e sem se dar conta, percebeu ali o que mudara nos meses passados e no presente. Mudara o amor.

Ela sentia falta da carne, do osso, mas, principalmente, do ombro e das mãos.

Quando se viram, descobriram que cavam-se abismos com os próprios pés, e que abraços podem ser distantes, e que às vezes saímos do corpo pra não sentir mais.

Ela queria entender e estava ali pra ouvir. Ele pediu pra falar e resolveu mostrar as roupas novas que ela não conhecia.

Ela riu de como as coisas podem ser estranhas. Roupas novas?sério?

Eles não sabem se choraram, mas tiveram a certeza de que era o começo do fim daquilo que um dia se chamaram nós.

Um beijo na testa, a hora do futebol, andar lado a lado, o táxi.

Eles se olharam nos olhos, enquanto o carro saia, ele da outra esquina perguntou o que ela fez dela, estava tudo tão diferente
Ela? Ela se fez.

2 comentários:

Flávia Guilherme disse...

Nossa...queria conviver com vc e entender as suas fontes de inspiração.
Entender seus pensamentos e adentrar nesse coração amado, amargurado, feliz, leve e avassalador.
Você é musa.

Karol Gonçalves disse...

Musaaaaaaaaaaaaa!!
Eu queria mesmo era ser romantica como suas palavras!!!!